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Solar de Nossa Senhora dos Remédios |
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O Solar onde se instala a Provedoria das Armadas, só é construído cerca de vinte anos após a construção da ermida (que tinha sido edificada entre 1556 e 1572 por António Pires do Canto, Provedor das Armadas, na Ilha Terceira). |
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As embarcações das rotas comerciais eram impelidas a aproximarem-se dos Açores devido à dureza das viagens ou impostas pelos inimigos comuns que pretendiam apoderar-se das riquezas trasportadas. |
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Estas contingências levaram à regulamentação da escala. O rei enviou às ilhas um regimento para apresentação do programa-base que viria a ser a Provedoria das Armadas e Naus da Índia nas Ilhas dos Açores. Nele se ordena vigilância constante para se impedir o desvio ou contrabando de fazenda régia. O facto de terem sido roubadas muitas especiarias e drogarias das primeiras naus, é apontado como origem desta ordenação. |
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Do mesmo modo que se estipulava a punição dos transgressores, estabelecia-se o aprovisionamento de água, mantimentos e quaisquer outros bens necessários às naus, para que pudessem prosseguir viagem. |
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Em 1527 já funcionava em Angra a Provedoria das Armadas que era a institucionalização de um socorro organizado pelo reino às frotas da Índia, Mina, Guiné e Brazil, embora estivesse instalada noutro local. A actividade da provedoria, que fora muito intensa durante o período aureo do comércio ultramarino português, foi decaindo durante o século XVII, constituindo o ponto nevrálgico no acesso das riquezas de além mar dos portos peninsulares. O cargo de provedor, oficial mais importante, manteve-se na familia Canto até á extinção desta. Só por ordem do Provedor se faziam todas as despezas necessárias ao apresto das armadas. A Provedoria era essencialmente o provedor, e apoiava-se administrativamente na provedoria da fazenda, a partir da sua criação de 1536 e, anteriormente, na Contadoria do Almoxarifado. As obrigações da provedoria para o século XVII podem resumir-se do seguinte modo: aprestar as naus e galeões que demandassem as Ilhas; zelar pela Fazenda Real pondo-a a salvo; avisar o monarca sempre que houvesse noticia de piratas ou corsários nos mares dos Açores; defender as naus perseguidas; salvar o que fosse possivel em caso de naufrágio de qualquer embarcação régia; assistir e zelar pelo carregamento dos trigos para o Reino em praças do Norte de Àfrica. No século anterior apoiavam o carregamento de trigo quer para o Continente quer para as praças Africanas. No século seguinte Angra só seria escala obrigatória para embarcações que velejavam isoladas, vítimas de temporais, ou ainda para as que se viam acossadas pelos corsários ou piratas. |
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Nesta altura é sobretudo o posto avançado do Reino para o contracto com as Carreiras da Índia e Brazil, numa tentativa de controlar e ultrapassar as crescentes incurssões piratas e corsários ou pôr a salvo o que de mais precioso as naus transportavam. |
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Angra é igualmente o ponto de apoio e abastecimento da armada real, bem como o elo de ligação desta com a Coroa. Angra era considerada universal escala do mar do ponente. |
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A vantagem recebida era insignificante, comparada com o abastecimento, vigilância e protecção das armadas que este porto fornecia. Em 1629, deu-se o último provimento deste lugar de guarda das naus da Índia e mesmo assim anexo ao de guarda da Alfândega de Angra. Diluía-se o velho e promissor ofício na burocracia do pequeno funcionalismo, ocupado por gente de baixa condição, mas significativa na organização social da cidade de Angra. |
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Um dos filhos de António Pires do Canto, primeiro Provedor, foi Manuel do Canto e Castro, que, ao herdar o morgadio, tornou-se o mais rico morgado das ilhas e construiu o solar entre 1599 e 1625. Foi seu sucessor João do Canto Castro, que marcou a luta contra o poder castelhano. É nesta altura que a Ermida, primeira peça deste conjunto arquitectónico, passa para a posse Manuel do Canto de Castro, e que este procede a uma sua remodelação. |
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A pedra de Brasão de Armas colocada sobre o portão da casa deve-se a Francisco Vicente do Canto, que gastou milhares de reis em obras na casa. A última herdeira da casa dos Remédios, em sucessão natural da família Canto, foi D. Maria Luísa do Canto. Foi também a única mulher a quem pertenceu a casa. Mais tarde a casa passou para o Dr. Eduardo Abreu, e posteriormente foi adquirida pela Irmandade de Nossa Senhora do Livramento, a fim de instalar nela uma instituição destinada a proteger a infância desvalida (Orfanato Beato João Baptista Machado). Com o sismo de 1980 o edifício é muito danificado, passando para a posse do Governo Regional, que o restaura para instalação de uma das suas Secretarias. |
Ermida de Nossa Senhora dos Remédios |
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A ermida foi construída entre 1556 e 1572 por António Pires do Canto, que foi Provedor das Armadas e Naus da Ilha Terceira. O Provedor das Armadas tinha a seu cargo assegurar a realização ou verificação das medidas de provimento de bens e víveres às embarcações que tal requisitassem. Manuel do Canto e Castro, um dos filhos de António Pires do Canto, ao herdar o morgadio, tornou-se o mais rico morgado das ilhas, construindo então o Solar dos Remédios, entre 1599 e 1625. Nesta obra foi incluída a reconstrução da ermida, que anteriormente era constituída por um só altar. Manuel do Canto de Castro mandou ampliá-la, tendo-se construído mais dois altares, sendo o altar principal, ou altar-mor, destinado a Nossa Senhora dos Remédios, que tem a um lado S. Francisco e ao outro S. José Cupertino. A construção antiga tinha uma só porta de entrada, com um pequeno pórtico abobadado. O interior manteve-se também abobadado, com as capelas já referidas. Existe também um púlpito, coreto e uma tribuna de onde a família Canto assistia ás cerimónias. Nesta ermida foi sepultado Francisco Vicente do Canto e Castro Pacheco e seu filho. |
Bibliografia |
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A Provedoria das Armadas no século XVII, Maria Fernanda Dinis Teixeira Enes, Separatada do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira vol. VLI (1983) Os guardas das naus da Ìndia e Mina no porto de Angra (1998), José Guilherme Reis Leite, Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira. Separatada do volume A Carreira da Ìndia e as rotas dos esteiros, Actas do VIII Seminário Internacional de História Indo - Portuguesa, Angra do Heroísmo. A Provedoria das Armadas da Ilha Terceira e a Carreira da Índia no século XVII, Artur Teodoro de Matos, 1943. Separatada de II Seminário Internacional de História Indo - Portuguesa Actas , Estudos de História e Cartografia Antiga- Memórias nº25. Instituto de Investigação Ciêntifica Tropical, Lisboa - 1985 O Solar de Nossa Senhora dos Remédios, por Jorge Pamplona Forjaz, Angra do Heroismo, União Gráfica Angrense, 1979 Memória sobre a Ilha Terceira, por Alfredo da Silva Sampaio, Angra do Heroísmo, Empresa Municipal, 1904, pág. 244 As Ermidas da Ilha Terceira, por Padre Alfredo Lucas As 18 Paróquias de Angra, Sumário histórico, 1974, de Pedro de Merelim, Angra do Heroísmo, Tipografia Minerva Comercial, pág. 98 |