Solar de Madre Deus

 

Construído pelo morgado e Capitão-Mor de Angra, João de Bettencourt de Vasconcelos, presumivelmente no segundo quartel do século XVII, o Solar da Madre de Deus afirma-se como um dos mais importantes exemplares da arquitectura angrense.




Situado no que na altura era o limite Noroeste da cidade (e agora integrado na mesma), misto de residência urbana e cabeça de uma vasta propriedade rústica que se estendia a norte da casa, o Solar da Madre de Deus manteve-se na família até à sua venda ao estado, após o sismo de 1980.

Um dos seus proprietários, João de Bettencourt de Vasconcelos, com seu cunhado, o Capitão-Mor Francisco de Ornelas da Câmara, presidiu ao Conselho de Guerra que se constituiu em Angra, em 1641, para ordenar o cerco do Castelo, sendo de presumir que o comando das operações do cerco se fizesse a partir desta casa, à beira da qual se construiu uma das diversas trincheiras para instalação dos sitiantes.




Originários da Normandia, onde foram senhores de Bettencourt e Granville, os Bettencourt fixaram-se primeiro nas Canárias, em 1402, passando depois à Madeira e mais tarde aos Açores, na pessoa de Francisco de Bettencourt, que faleceu em Angra em 1592, deixando como herdeiro o seu filho primogénito, João de Bettencourt de Vasconcelos, tristemente celebrizado pela sua adesão à causa Filipina, o que lhe valeu ser degolado, na Praça Velha, a mando da justiça do Prior do Crato. Deste João de Bettencourt foi neto o outro João de Bettencourt, acima referido, e que deveria ter em 1640 um comportamento bem diferente do do avô.

O solar foi construído aproveitando as estruturas de uma pequena casa cuja fachada ficava voltada a nascente, formando a sala de jantar parte do corpo principal do edifício actual.

Encimando o portão nobre, a pedra de armas da família, constituída por um esquartelado de Bettencourts e Fonsecas, Ornelas e Vasconcelos. O antigo portão de acesso ao pátio, o chafariz e o belo empedrado na rampa de entrada ostentam datas relativas a obras ou alterações levadas a efeito, ao longo dos anos.

O devastador sismo de 1980 interrompeu o multissecular ciclo familiar causando graves prejuízos na estrutura do edifício e exigindo vastas obras de restauro. Adquirido pelo Estado para instalação do Gabinete do Ministro da Republica, o edifício foi recuperado dentro da sua lógica inicial.

A Ermida

Da invocação de Nossa Senhora da Madre de Deus, foi construída em 1727, por iniciativa de Vital de Bettencourt de Vasconcelos, bisneto de João de Bettencourt de Vasconcelos. Em 1728 o Bispo de Angra, Manuel Alvares da Costa passou o Alvará a autorizar o culto “visto ter os paramentos necessários, campanário e porta para a rua”. O pormenor da porta significa que, tendo a ermida o estatuto de pública, terá obrigatoriamente de facilitar o acesso ao serviço religioso.

Bibliografia

Documentação histórica fornecida pelo Gabinete do Ministro da República