Castelo de S.Sebastião

 

A Fortaleza de S. Sebastião, implantada num pequeno outeiro que se ergue entre a baia das Águas de S. Sebastião e a Baía de Angra, consta ter sido mandada restaurar pelo próprio Rei D. Sebastião*.
É no pequeno monte que existe “ ... uma Fortaleza, cercada de muralha, com porta para a Cidade, e em cima, dentro, com casas para o Capitão, artilheiros e trinta soldados, a que vem render outros soldados do outro Castelo grande, e tem mais seu Armazém de munições de guerra, e uma cisterna que leva quinhentas pipas de água; por dentro do alto desta Fortaleza desce abaixo uma abóbada, ou coberta até uma plataforma em que bate o mar, e tem catorze peças de artilharia, e quase todas de bronze, e calibre grande, que não só defendem o porto da Cidade, dentro do qual já estão, mas também defendem a chegada de inimigos ao antecedente porto das Águas de S. Sebastião, e daqui parece tomou esta fortaleza o nome de S. Sebastião; se não é (como alguns dizem) por ter sido fundada, ou reformada pelo belicoso Rei D. Sebastião, de saudosa memória**.”







A Fortaleza foi realmente mandada edificar pelo próprio Rei D. Sebastião, conforme documento tombado na Câmara de Angra.




Dá sobre um pequeno cais, que foi construído às custas de João da Silva do Canto, sobrepondo-se à responsabilidade da Câmara de Angra, devido à falta de interesse desta. Não obstante as reduzidas dimensões do pequeno Porto das Pipas, Cordeiro refere que este já foi estaleiro de vários tipos de construções navais, e que João de Betencor, Nicolao Dias, João Cordeiro, entre outros, construíram naquele porto não só caravelões, caravelas e navios, mas mesmo duas naus bem grandes***.




O acesso ao Porto é feito por uma porta de mar, estando o mesmo protegido por todos os outros lados, quer por rochas altas, quer pela Fortaleza.




A Alcaidaria-mor da Fortaleza de S. Sebastião foi entregue, em 1576, ao Capitão do Donatário de Angra, Manoel Corte Real, através de carta régia datada de 25 de Outubro de 1576, assinada por D. Sebastião****.




Funcionou como principal defesa da baía de Angra até à construção do Castelo de S. Filipe (1600s), cruzando fogo com alguns fortes existentes na encosta do Monte Brasil, do outro lado da baía de Angra, e cumprindo a rigor este papel, de tal modo que nem mesmo a Grande Armada Espanhola tentou tomar Angra, em 1580, indo atacar a Ilha na baía da Salga onde sofreu um grande revés.




Outras Referências Bibliográficas:

Archivo dos Açores, Ponta Delgada, 1880, Volume II, p.40
*Cordeiro, Pe. António, História Insulana, SREC, 1717/1981, pp.262/263
**Ibidem
***Cordeiro cita Frutuoso (liv.6, cap.3).
****Drumond, Francisco Ferreira, Apontamento Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos para a história das nove ilhas dos Açores servindo de suplemento aos Anais da Ilha Terceira, Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo,1990, p.503

Archivo dos Açores, Ponta Delgada, 1880, Volume IV, p.164

Almeida, D. Gregório de, Restauração de Portugal, Ed. Barcelos, 1940, p.19

Campos, Alfredo Luís, Memória da Visita Régia à Ilha Terceira, Angra, 1903, pp.148, 233, 304

Chagas, Frei Diogo das, Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores, Ed. Braga 1989, p.266

Drummond, Francisco Ferreira, Anais da Ilha Terceira, Volume I, p. 133-134, p.164

Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra, Livro VI, Ponta Delgada, 1963, p.23

Linschoten, Jan Huygen van, Itinerário, Viagem ou Navegação de Jan Huygen van Linschoten para as Índias Orientais ou Portuguesas, Edição da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, da autoria de Arie Pos e Rui Manuel Loureiro, Lisboa, 1997 (Desenho do Castelo)

Pinheiro, José Joaquim, Épocas Memoráveis da Ilha Terceira dos Açores, 1890, p.154

Sampaio, Alfredo da S., Memória sobre a Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, Empresa Municipal, 1904, p.251-2