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Casa Violante do Canto |
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Este imóvel, sito à rua da Sé, terá sido residência nobre, ao menos temporária, de João da Silva do Canto, falecido em 1576, provedor das armadas por morte de seu pai Pedro Annes do Canto e de seu irmão mais velho António Pires do Canto, que sucedera àquele e tinha residência no Solar dos Remédios. |
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Sua filha única, Dona Violante da Silva do Canto, herdeira da casa da rua da Sé, acérrima partidária dos direitos de D. António ao reino de Portugal, dedicou-se a essa causa de modo tão denodado que, na casa onde viveu, aconteceram eventos marcantes na história da Ilha Terceira e do país. |
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Toda a sua enorme fortuna foi colocada ao dispor do «rei português», sustentando ainda à sua custa as companhias de ingleses e franceses que na ilha se estabeleceram em reforço das tropas da guarnição após a aclamação do soberano Espanhol. |
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O salão nobre da sua casa da rua da Sé presenciou a visita de cortesia que lhe fez, à chegada a Angra, D. António Prior do Crato, para pessoalmente agradecer todo o auxílio prestado à causa que tão patrioticamente abraçara. D. António fez revestir essa visita da maior solenidade, saindo da «Casa do Capitão» (Casa dos Corte-Reais) onde estabelecera residência, à frente de um esquadrão a cavalo e dos quinhentos archeiros e mosqueteiros de sua guarda, com todas as altas dignidades de sua corte e acompanhado de muito povo. |
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Diz o Dr. Gaspar Frutuoso que D. António, «na visitação que lhe fez, prometeu de a fazer, muito grande senhora, pondo-se Deus em seu estado, com desejava, porque ela lho tinha bem merecido. A qual, como muito discreta e prudente, lhe fez uma notável prática e oferecimento de sua fazenda, na qual lhe pediu de mercê a tivesse por lembrança, que não tinha pai nem mãe e tomava a Sua Majestade por esse, e que ela tinha de seu oitenta ou cem mil cruzados e a maior mercê que lhe faria era manda-los gastar todos em seu serviço, porque, se ela não o havia de ter por rei e senhor, não queria vida, nem fazenda». |
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Antes de partir com destino a França, D. António voltou a fazer-lhe as despedidas, com promessas de grandes mercês logo que expulso fosse de Portugal o rei usurpador. |
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Mais tarde, em 1583, após a capitulação da ilha e a entrada em Angra das tropas espanholas, a Casa de Dona Violante foi escolhida para residência do triunfador Marquês de Santa Cruz que, por especial recomendação de D. Filipe II, determinou que o convento de S. Gonçalo (ao qual antes da chegada a Angra dos invasores, a ilustre dama se recolhera com seus familiares, aias e criadagem) fosse guardado por uma companhia de linha, a fim de o subtrair a qualquer excesso da soldadesca durante os dias de saque a que a cidade foi sujeita. |
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O próprio Marquês foi visitá-la ao convento para lhe assegurar, em nome de Sua Majestade, a maior protecção, comunicando-lhe os propósitos régios de a fazer conduzir a Espanha num dos navios da Armada Real que se encontrava fundeada no porto, embarque que se fez com a maior pompa. No tecto da casa de Dona Violante, no apainelado do salão nobre, existem ainda esculpidos dois brasões, dos Cantos e dos Castros. |
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Na fachada foi mandada colocar, pelo Secretário-geral servindo de Governador Civil, Dr. Francisco Lourenço Valadão Júnior, uma placa comemorativa, por ocasião do Duplo Centenário da Fundação e independência (1940), contendo a seguinte legenda: “Aqui residiu no Século XVI Dona Violante Do Canto exemplo sublime de virtudes patrióticas na defesa do rei português D. António ”» |
Bibliografia |
| Lopes, Frederico, “Da Praça as Covas”, Editora Andrade Angra do Heroísmo, 1971, Páginas-274 à 276. FG/Açoriana-15 |