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A Roda |
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A necessidade de proceder à expressão deste símbolo (o círculo e a roda), que nos coloca em contacto com o seu arquétipo (neste caso o modelo mental da perfeição), parece acompanhar a humanidade ao longo dos tempos. |
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O Caddo, cruz solar, símbolo simultâneo do Sol e do Fogo. |
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Mas a roda, para além da simbologia do círculo, engloba ainda a do decorrer do tempo (que se refere ao mundo do devir, do futuro, da libertação e/ou simplesmente ao próprio mundo), ligada ao símbolo e culto solares, que se seguiu ao lunar. |
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A antiga Cruz Solar |
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O Sol, ao permanecer sempre igual a si próprio, sugere um tipo de representação diferente da da Lua, que cresce, decresce e desaparece, colocando-se assim no plano das espécies condicionados ao nascimento e morte. Mas por outro lado, ambos representam o tempo, pois o Sol também transmite o sentido de ritmo dos dias e noites, assim como o das estações. |
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Casa do Ramo Grande |
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A roda do Sol e da vida aparece representada na arquitectura, na forma de suásticas, de quatro ou mais braços, assim como na de espirais (que significam os dois movimentos: do centro para fora e vice-versa). |
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A suástica num templo Budista |
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As “rodas solares” são símbolos religiosos que começam a surgir na produção artística do período neolítico e permanecem nesta simbólica até ao presente. |
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A suástica num mosaico Romano |
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Eram muito comuns nas pedras tumulares desse período, mantendo-se constantes nas representações actuais, bastando uma volta por qualquer cemitério açoriano para as encontrar. Mas surgem também como protectores dos vivos, em torno das casas. |
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Figurações açorianas deste símbolo são comuns em muitas situações, surgindo por vezes reproduzidas com grande perfeição não só nas fachadas de edifícios, mas também noutros objectos. Em ambos os casos parecem corresponder a um apelo à protecção contra males espirituais. |
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A roda solar e a espiral, numa casa de S. Miguel |
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Roda Solar e losangos, numa casa do Faial |
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Não poderá ser afirmado com toda a certeza que a permanência consciente destas crenças na cultura local seja um facto. No entanto, alguns comportamentos parecem indiciar a sobrevivência dessas ideias, indicando-as como território a estudar, na busca de definições para o património imaterial dos Açores. |
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A permanência do arquétipo pode ser comprovada pelos códigos de conduta que regem o uso de argolas (pulseiras, braceletes, colares, brincos, coroa, etc.), não se sabendo de que modo nesse uso, as jóias se diferenciam do sentido de objectos talismânicos, de protecção, utilizados no passado para impedir a entrada de “espíritos malignos” (pelas extremidades das mãos e dos dedos, ou pela cabeça, protegendo principalmente o coração, entendido como sede da alma). |
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É possível que estes símbolos, agora quase que apenas jóias, ainda possam guardar algum do seu significado mágico, sendo a presença dessa crença provada pelo hábito de se retirarem esses objectos do corpo dos moribundos, com a explicação de que será “para que a sua alma possa partir em paz”. O nível de conformação com este hábito parece ser um bom indicador da presença da crença. |
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