O Losango

 

O losango, simbolismo feminino, aparece representado com grande frequência nas decorações de fachada na Ilha Terceira.




Não sabemos se o mesmo acontece nas outras Ilhas do Arquipélago, mas fazendo fé no levantamento já realizado pelo IAC (Instituto Açoriano de Cultura), e presente no Inventário do Património Imóvel dos Açores, praticamente está ausente nas outras Ilhas (Santa Maria, Pico, Faial e Corvo, por exemplo). É relativamente fácil constatar este facto através da informação facilitada pelo IAC no seu site da Internet. A excepção refere-se às Ilhas de Santa Maria e S. Miguel, de onde se reproduzem exemplos.




Losangos terminados em rodas solares ou flamejantes (S.Miguel)

Esta é uma situação estranha, principalmente quando se sabe que este símbolo é tido como resultante de um arquétipo de representatividade do feminino, sendo um dos mais antigos e universais. é conhecido desde o período magdalenense (c.12.000 anos). A sua expressão surge em culturas/áreas de dominância da figura feminina, como são as estruturas sociais de base hortícola ou de pequena agricultura. Em conjunto com a cobra (elemento fálico) e por estar desenhado na sua pele, forma um poderoso símbolo erótico e de fertilidade. Mas sozinho, está representado em todas as Regiões e Continentes, desde as Américas, à China, África, Europa, etc.

Esta é uma situação estranha, principalmente quando se sabe que este símbolo é tido como resultante de um arquétipo de representatividade do feminino, sendo um dos mais antigos e universais. é conhecido desde o período magdalenense (c.12.000 anos). A sua expressão surge em culturas/áreas de dominância da figura feminina, como são as estruturas sociais de base hortícola ou de pequena agricultura. Em conjunto com a cobra (elemento fálico) e por estar desenhado na sua pele, forma um poderoso símbolo erótico e de fertilidade. Mas sozinho, está representado em todas as Regiões e Continentes, desde as Américas, à China, África, Europa, etc.




Casa na Ribeirinha, Terceira

No desenvolvimento sofrido ao longo dos tempos por esta representação simbólica, a mesma adquire significados paralelos, aparecendo também como símbolo de uma passagem iniciática a um outro mundo (que pode ser a Terra, conhecida como ventre da vida), ou a um outro espaço igualmente tido como sagrado (originário de vida). Nesta capacidade o símbolo aparece reproduzido por vezes em portas, em fachadas de casas, no formato dado aos vidros das janelas, etc., referindo a sacralidade do interior, ou então, como prenúncio de boa sorte (também de felicidade e de amor), todos componentes da matriz feminina do símbolo.

Ao estabelecer uma metáfora entre a expressão da genitália feminina e a imagem simbólica da terra-mãe, como porta para o mundo subterrâneo, que funcionaria simbolicamente como uma passagem para o ventre da terra, o símbolo tem sido expresso na decoração arquitectónica um pouco por todo o mundo. Nesta qualidade, evocaria a protecção materna.




Casa no Porto Judeu

Mas os losangos não representam apenas este símbolo. Quando desenhados em formas muito alongadas, com dois triângulos isósceles na base, poderão ter um significado ligeiramente diferente: o do estabelecimento de contacto entre a terra e o céu.




Casa na Agualva, Terceira

A partir desta dupla significação, torna-se natural a sua representação nos Açores, dado que a predominância da figura feminina, tanto no plano social como no familiar, na estrutura da sociedade insular, justifica a emergência da forma arquetipal. E Isto acontece com mais frequência precisamente na Ilha onde a exploração agrícola terá obtido uma expressão que facilita esse traço.

De notar ainda que o surgir dessa simbologia nas fachadas das habitações só acontece de forma notória a partir do século XIX, a ajuizar pela informação existente e pelo traçado das casas de habitação anteriores a este período.







Decoração dos portões do Castelo de S, João Baptista, Terceira