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Igreja da Sé |
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Está situada quase a meio da Rua da Sé, no mesmo lugar onde antigamente existiu a primeira Igreja da cidade, um pequeno templo erigido na direcção Oriente/Poente, dando a capela mor para a rua das Salinas, onde por muitos anos se conservou uma pequena capela com a imagem do Senhor Santo Cristo, que só no ano de 1746 se mudou para dentro da Igreja . Chamava-se igreja de S. Salvador, orago da freguesia, mesmo quando esta depois passa a vila. Naquela época (tudo leva a crer que tivesse ficado concluída no ano de 1486), foi designado seu primeiro vigário o Padre Luiz Annes, que era capelão de Sua Alteza, a Infanta D. Beatriz, como atesta um documento com a data de 28 de Novembro de 1486. |
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O bispado de Angra só foi criado em 1534, pelo Papa Paulo III, e não tendo a igreja dimensões suficientes para comportar a população, a Câmara de Angra requereu a El - Rei em 1557, autorização para a construção da nova Sé, no mesmo lugar onde estava a Igreja de S. Salvador. |
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A 10 de janeiro de 1568 o Cardeal D. Henrique, sendo já Rei de Portugal, mandou expedir o Alvará, autorizando a edificação do novo templo, mandando ao mesmo tempo um arquitecto, Luiz Gonçalves, para a elaboração do plano. A 18 de novembro de 1570 era lançada a primeira pedra nos alicerces, pelo Deão Balthazar Gonçalves e em 1618 ficaram concluídos os primeiros trabalhos que duraram 48 anos e importaram em 46.448$673 reis, não se sabendo ao certo quando se ultimaram depois as obras de aperfeiçoamento. |
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Quando em 1808, o bispo D. José Pegado de Azevedo reconheceu que nada constava por monumento algum, nem por tradição, que a Sé tivesse sido oficialmente sagrada, resolveu proceder à sua sagração, tendo sido colocadas no altar–mor as relíquias dos santos mártires Benedicto e Primo-Veracundo, encerradas num pequeno cofre. A Catedral de S. Salvador do Mundo, como é conhecida esta Igreja, é a principal e a maior de todas as do arquipélago açoriano, e o Padre Cordeiro, na sua História Insulana, em atenção à sua grandeza, apelidou-a de Real Sé de Angra. |
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O interior da igreja é dividido em três naves, e o seu elevado tecto é sustentado por doze colunas quadrangulares, de pedra pintada a óleo (pintura depois destruída, assim como outros pormenores abaixo descritos, no incêndio que se seguiu ao terramoto de 1980). No fim da nave central existe a capela-mor, num plano mais elevado, rodeada de colunas de ordem jónica, então todas douradas, formando um semicírculo, destacado do resto do edifício, por um corredor que dá servidão às principais sacristias. |
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Aspectos da Igreja anteriores ao incêndio. |
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Por cima da sacristia dos cónegos há uma sala que antigamente comunicava com o exterior por uma alta escadaria, e que serviu de Tribunal Eclesiástico. Hoje comunica só com a sacristia por uma escadaria em hélice, de pedra, a única que temos visto neste género, não só pela solidez que apresenta, como pela particularidade de qualquer observador colocado no cimo da escada ver, segundo uma linha vertical, um outro colocado na base. Esta sala, que hoje nada tem, está reservada para o tesouro das alfaias que, convenientemente dispostas, poderão mais facilmente ser apreciadas. |
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Exteriormente à sacristia grande, existe um pequeno espaço ajardinado, onde está a aula de musica, e uma larga escadaria por onde se sobe para a casa do cabido ou das sessões capitulares, que se compõe dum vasto salão com janelas voltadas para a cidade, tendo na sua parte mais nobre um pequeno altar onde está a imagem de S. Salvador, quando esta não pode figurar na capela-mor. |
Notas retiradas de “Memória sobre a ilha Terceira”, de Alfredo da Silva Sampaio, Imprensa Municipal, Angra do Heroismo,1904, páginas – 219 à 223 |