Convento de S. Francisco


O Convento é construído em terreno cedido por Afonso Gonçalves Di’Antona Baldaja, com a capelinha anexa da Senhora da Guia, sendo depois ampliado, cerca de um século mais tarde.


A sua construção teria começado em 1456 (alguns cronistas antecipam esta data para 1452), com os religiosos franciscanos que para a ilha foram com Jácome de Bruges, sendo Frei João da Ribeira o primeiro prelado. O certo é que em 1480 já existiam cinco conventos desta Ordem nos Açores. O Convento de S. Francisco de Angra era constituído por um grande edifício, de amplos corredores, enfermarias para os frades e doentes pobres e um grande templo. Continha na sua cerca abundantes hortas e águas, que se ligavam ao Castelo dos Moinhos e à Casa dos Capitães Donatários.






João Vaz Corte-Real edifica à sua custa a capela-mor com jazigo de família. Vasco da Gama, em 1499, aporta a Angra com o irmão doente, para ser internado no hospital do convento, onde morre e é sepultado (no “Convento Franciscano do Monte”).

Aos franciscanos foi confiada por D. João II a educação não só religiosa mas também intelectual e artística das populações das Ilhas, sendo o ensino público e gratuito. Em compensação, estes frades viajavam nas caravelas e estavam isentos de tributos ou outros impostos. O Convento alojou, temporariamente, importantes visitantes, estando ligado à Casa do Capitão, ao Castelo de S. Luís e ao edifício dos Paços do Concelho, entre os quais não existiam ruas mas apenas jardins. Os religiosos, porém, de acordo com as normas da sua ordem, não dispunham de bens. Viviam de esmolas, assim como das colectas nas igrejas da Sé e Conceição (por altura dos sermões).

 



 




Durante a época da peste (1599-1600) alguns frades empreenderam a ampliação do Convento (dormitórios e oficinas), que ficaram concluídos em 1666, dando logo início à edificação do novo templo.
Na cerimónia de lançamento da primeira pedra, a 6 de Março de 1666, estando presentes altas individualidades, notavam-se alguns Cavaleiros de Cristo (João de Bettencourt de Vasconcelos, Capitão Mor da cidade, e seu irmão Vital), que sempre estiveram ligados aos franciscanos. Os frades franciscanos, contrários à ocupação Filipina, comprometem-se com o monarca francês na luta de libertação.

A 1 de Outubro de 1672 foi bento e inaugurado o novo templo, tendo durado três dias as festividades religiosas.

 

 

 

Separada a Ordem Seráfica de Angra, da de Xabregas, que lhe dera origem, o Convento prossegue em grande actividade, não só religiosa como artística. Até 1814, era em S. Francisco que os alunos do Seminário de Angra faziam os seus exercícios espirituais.

 

 



A partir de 1828, com as perturbações políticas da época, encerra-se a vida monacal desta comunidade. Em 1844 o edifício passa a albergar o Liceu e posteriormente (até ao presente) o Museu de Angra do Heroísmo.

 

Como museu de Angra o edificio alberga agora vários documentos significativos na história dos Açores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(“Notas Sobre os Conventos da Ilha Terceira”)