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Praça Velha |
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Foi desde inicio o centro de actividade, o núcleo à volta do qual girou toda a vida administrativa, judicial, militar, política e social do pequena burgo. A partir dela irradiaram as principais artérias, ligadas umas às outras como um xadrez geométrico, de largo e amplo traçado, idêntico ao qual, só três século mais tarde, após o terramoto de 1775 que arrasou Lisboa, o ministro de D. José I daria à capital portuguesa, tornando-a uma das mais belas cidades da Europa do seu tempo. |
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Ao começo com a forma trapezoidal, a praça nem sempre teve as dimensões que hoje apresenta. Linschoten representou-a no seu célebre desenho (1595), bastante irregular e menor que a actual, se a compararmos com a largura das ruas que lhe dão acesso. Confirmando-o, Fr. Diogo das Chagas, no «Espelho Cristalino» (séc. XVII) diz ter sido o Corregedor Roque da Silveira quem «fez fazer a Câmara Municipal de Angra e praça quando até ali era muito pequena». |
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As mais antigas Casas da Câmara foram edificadas na parte ocidental da praça que, só após a construção da ermida da N ª. S ª da Saúde teria tomado o nome de «Praça dos Santo Cosme e Damião», ou mais abreviadamente «Praça dos Santos Cosmes» até que, reconstruída a ermida sob a invocação de N ª. S ª da Saúde, o povo começaria a designá-la por «Praça Velha», nome pelo qual ainda hoje é conhecida, apesar de na toponímia oficial se ter denominado «Praça da Restauração» desde a 2.ª metade do século XIX. Foi também conhecida por «terreiro» ou «Praça dos Touros», por nela se realizarem as touradas, justas e torneios com que eram solenizadas as Festas de S. João, antes de construído o primeiro tauródromo da cidade. |
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Nos dias de procissão ou no tempo alegre das Festas Joaninas, já em pleno séc. XVII, as corridas de toiros, as cavalhadas e os jogos de canas alegravam a Praça, transformada em redondel, fechada por bancadas e camarotes. Era o centro atractivo por excelência, ornamentada a colgaduras e bandeiras, festões de verdura e flores. Por ela transitava uma verdadeira passagem de modelos, como se chamaria hoje ao desfilar, com trajos ricos e jóias de altíssimo valor, do supra-sumo da Elegância e do Bom Tom, acorrendo pressuroso ao chamariz dum festival impar na vida mundana dos angrenses. Só as redundâncias literárias do Dr. Moraz no-las poderiam ter dado a conhecer, em nossos dias, através uma linguagem empolada e repleta de pormenores, imprimindo ao fruste o autêntico brilho de que na verdade se revestiriam, porque até no estrangeiro houve quem pasmasse de tanta grandeza, segundo rezam notícias que deram brado depois, trazidas às crónicas mundanas da imprensa alfacinha, ávida sempre de curiosas efemérides. Só muito tarde porém, com os primeiros candeeiros de azeite (1827-1828) e depois de petróleo (1835), espalhados aqui e além pelas ruas principais do burgo, a Praça Velha começou a ter vida nocturna. A época do fausto havia passado, absorvidas as fortunas pelas lutas intestinas e pela dispersão dos morgadios. Pode bem dizer-se que a riqueza se escoara e as próprias Festas de S. João morreram como a tradição da ermidinha do Santo, ela própria profanada pelo bispo, tal o estado de abandono em que se encontrava (Capela de S. João Baptista). |
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Fonte |
| Lopes, Frederico, “Da Praça as Covas”, Editora Andrade Angra do Heroísmo, 1971, Páginas-22 à 28. |