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As Portas |
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“ Ao entrar da cidade, à mão esquerda, está a Real casaria da Alfândega, com terreiro ladrilhado de cantaria e muralha sobre o mar, capaz de artilharia. E aqui é o passeio, principalmente dos homens de negócio e Mestres dos navios, com boa vista deles e do porto todo. |
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A dita Alfândega, além dos seus Tribunais, tem grandes despejos e armazéns para todo o desembarco de navios, de Frotas e de Armadas e para o provimento necessário. À mão direita se alarga um terreiro de calçada com um chafariz no meio, alto e de muitas bicas de doce e boa água, e ainda à mão direita volta sobre o mar, e ao pé da rocha da Ilha, junto à muralha de baixo, um caminho, e quase rua, que chega ao matadouro. Mas nem se comunica neste baixo com o Porto de pipas e menos com o Castelo de S. Sebastião. “ (História Insulana, Pe. António Cordeiro, 1717. SREC, Angra, 1981, p.269) |
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As referências que o Pe. António Cordeiro nos deixa sobre a Angra do início do século XVIII (1717) ajustam-se ao desenho de Linschoten (1590), de duzentos anos antes, como se nada tivesse mudado. Ou seja, o apetrechamento de Angra para a prestação de serviços, necessária ao empreendimento dos Descobrimentos (1400s) terá sido realizada em tempo recorde, funcionando durante esse período de mais de duzentos anos com grande eficiência, segundo se sabe. |
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Em parte, essa eficiência deveu-se ao planeamento inicial, que concebeu a baía como um sistema interactivo e auto-suficiente, isolado da restante Ilha por muralhas e portas, portas essas que também encerravam a cidade durante a noite, e que tolheriam os movimentos da população, se houvesse a intenção de visitar outros pontos da Ilha, mesmo durante o dia. |
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As Portas É a partir do secretismo criado, assim como da fiscalização das mercadorias entradas e saídas, que se estrutura o processo de aprovisionamento das embarcações em trânsito, da competência do Provedor das Armadas. Um olhar sobre o número de pontos de controlo então existentes revela o seguinte: 1 Porta de Mar de Angra e Serviço de Alfândega 2 Porta do Porto das Pipas 3 Porta da Prainha 4 Porta do Portinho Novo 5 Porta de Santa Catarina (depois, de S. Pedro) 6. Porta de S. Pedro (Mar) 7. Porta de S. Bento |
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O sistema de portas e muralhas era tão dissuasivo e estava tão bem defendido que mesmo piratas e corsários como Sir Fancis Drake, Lord Chamberlain e outros, que em constante rondar pelas Ilhas cobiçavam as naus das Índias, eram forçados a abastecerem-se nas restantes ilhas, cujas defesas seriam menos poderosas do que as de Angra (Linchoten). |
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