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Monte Brasil |
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Do Pico das Cruzinhas é possível ver-se o dorso da ilha de S. Jorge. Um pouco mais afastada e meio escondida, mas a mostrar-nos a grandeza do seu pico, vê-se a ilha do Pico; e mais próximo, abrangendo uma larga extensão que vai de Santa Bárbara, a Oeste, até à Ponta da Mina, a leste, subindo até morrer nos vários picos e serras que nos fecham o horizonte pelo Norte, a ilha Terceira. Quem avaliar a constituição deste Monte, dirá que ele foi trazido doutras paragens ou doutras camadas: as suas rochas, a cantaria das suas pedreiras, o tufo que constitui a sua ossatura, o terreno areento e solto, tudo parece indicar uma constituição diferente dos terrenos e rochas que lhe ficam próximos no corpo da Ilha. Dir-se-ia que um vulcão teria surgido junto à costa e trazido de camadas profundas os materiais que o formaram. Constituindo a sua Caldeira, ou funda depressão em forma de bacia, a cratera desse vulcão, o qual formou três picos: o do Facho, do Zimbreiro e das Cruzinhas, consolidou o seu fundo, que forma uma superfície arável de cerca de duzentos e noventa ares. E é destes picos e da sua Caldeira que se compõe o Monte Brasil, que é na realidade uma pequena península encravada na costa sul da Ilha, com três e meio quilómetros de costa e cerca de cento e trinta e três hectares de superfície, formando os seus flancos duas baías: a de Angra, a leste; e a do Fanal, a oeste. Crêem alguns escritores que Camões se tivesse inspirado nestes três picos ou outeiros, quando descreve a entrada da sua "Ilha dos Amores", que dizem ser esta Ilha Terceira: " Três formosos outeiros se mostravam, Erguidos com soberba graciosa, Que de gramíneo esmalte se adornavam Na formosa ilha alegre, e deleitosa." Canto IX O padre António Cordeiro na sua "História Insulana", ao referir-se a estes picos, diz: "... estes montes fazem frente ao Oceano com tão alta e despenhada rocha que pode ser questão, qual dos dois ao outro mete mais pavor, se o Oceano ao rochedo, se tal rochedo ao Oceano." Não sabemos quem foi o seu primeiro possuidor, mas sabemos que o último foi Estevam de Cerveira. |
Origem do Nome Brasil |
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Segundo antigos portulanos, as ilhas dos Açores eram já conhecidas dos navegadores do século XIV, que lhes deram vários e diferentes nomes, entre eles os nomes y de brasil, que alguns escritores têm como sendo a Ilha Terceira. Mas, talvez por conveniência dos descobrimentos passou a ser chamada " Ilha Terceira" que lhe era próprio na ordem cronológica da descoberta. E, desta forma, a península ficou conhecida por ponta do Brasil, como se vê em alguns documentos, por ser a ponta da Ilha do brasil. |
Fonte: |
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O Castelo de S. João Baptista da Ilha Terceira e a Restauração de 1640", Capitão Spínola de Melo, Angra do Heroísmo, 1939 |
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Em 1932 foi erguido um padrão, no Pico das Cruzinhas, comemorativo do 5º centenário da descoberta dos Açores, sobre um vasto miradouro que sumiu as ruínas dos pedestais dum moinho de vento e de uma forca que, em anos passados, ali existiram. |
Fonte: |
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O Castelo de S. Filipe do Monte Brasil", Major Miguel Cristóvão de Araújo, Angra do Heroísmo, 1973, Colecção Insula, nº5 |
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O Farol instalado na Ponta, junto do antigo Forte de Santo António, data de 1893 - o segundo dos Açores em antiguidade. Durante a segunda guerra mundial, em diversos pontos do Monte Brasil instalaram-se baterias de artilharia, vindas do Continente para o efeito. Junto do forte de S. Diogo, na ponta do Zimbreiro, que defendia a baía do Fanal, observa-se uma cavidade aberta na raiz do monte, de cuja abóbada natural está continuamente gotejando uma espécie de chuveiro de água doce e cristalina, que recebida num tanque na parte inferior servia para uso dos soldados que ali faziam guarda. Anota ainda o Anunciador da Terceira que aquelas águas tinham a virtude de curar muitas moléstias cutâneas e de servirem para várias tinturarias. |
Fonte: |
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18 paróquias de Angra" , Pedro de Merelim, Sumário Histórico, 1974, p.724 |
Pico do Facho |
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Este pico é o mais alto dos três que formam o Monte Brasil. Situa-se a leste e tem 205 metros de altura. Tem um posto semafórico com casa de pedra abobadada para abrigo do encarregado do mesmo, e um mastro para sinais.
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Fonte: |
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O Castelo da S. João Baptista da Ilha Terceira e a Restauração de 1640” , Capitão Spínola de Melo, Angra do Heroísmo, 1939 |
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O posto semafórico que existiu no alto do Pico do Facho datava dos primeiros tempos do povoamento. O cosmógrafo Luís Teixeira assinala-o na carta da Ilha Terceira por ele desenhada no ano de 1588, e Jean Hughes Linschoten assinalou-o na sua famosa carta, desenhada em 1595 e inserta na “História da Navegação”. Foi muito importante na defesa da ilha aquando dos ataques surpresa sofridos pelas populações expostas à arremetida dos corsários que infestavam os mares em busca das caravelas regressando da Índia, pejadas de preciosidades caras. |
Fonte: |
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A PROPÓSITO DE UM CENTENÁRIO – O posto semafórico do Monte Brasil” , Silva Júnior, Frederico Augusto, 1959; Separata do volume 17º do “Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira” , p.1 |
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"Nestes montes estão dois pequenos pilares de pedra, onde fica um guarda para vigiar os navios que se vêem no mar e para avisar os da ilha. Por cada navio que vê aparecer de oeste, de onde vêm os da Índia espanhola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné, da Índia portuguesa e de outras partes de sul e oeste, põe uma bandeira no pilar de oeste, e caso os navios que avista são mais de cinco, põe um estandarte grande, que quer dizer uma frota inteira de navios. Faz o mesmo no pilar que fica a leste para todos os navios que vêm de Portugal ou de outras partes de leste ou norte. Por causa da altura dos montes, estes pilares podem ser vistos facilmente por toda a cidade, pelo que não há navio ou vela que possa aproximar-se da ilha sem que se tenha logo conhecimento em toda a cidade e por toda a ilha, porque não se mantém esta vigia apenas nestes montes no canto da ilha, mas igualmente em todos os outros cantos, montes e outeiros da ilha, de onde quer que se possa ver o mar. e mal se avista qualquer coisa, imediatamente são avisados o governador e os outros governantes, para se tomarem todos os cuidados que lhes pareçam necessários. No sopé do referido monte alto chamado Brasil, no ponto extremo junto ao mar, está situada uma fortaleza, que corresponde a uma outra fortaleza que lhe fica fronteira, de maneira que estas duas fortalezas fecham e protegem o embocadura ou porto aberto da cidade onde os navios ficam ancorados, pelo que não há navio que possa entrar ou sair sem autorização destas fortalezas." |
Fonte: |
| ITINERÁRIO, Viagem ou Navegação para as Índias Orientais ou Portuguesas" / Jan Huygen van Linschoten. Edição preparada por Arie Pos e Rui Manuel Loureiro. Colecção Outras Margens, 1ª edição. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, LISBOA 1997, p.337 |