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Paineís esculpidos, na Igreja da Conceição |
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Angra, como ponto central de todas as trocas com o Novo Mundo, foi também núcleo de um tráfego de obras de arte destinado a esses povos “gentios”, nomeadamente concernente ao espírito de missão que a Igreja Católica assumiu com a catequização destes, no Projecto das Descobertas. |
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Neste sentido, Angra tornou-se não só um entreposto, mas também um centro produtor destas obras (segundo Francisco Ernesto Martins, “Os Mestres da Sé”). Como tal, contém nos seus espólios muitos destes documentos histórico/artísticos, que aliás estão espalhados por todas as Ilhas do Arquipélago. Devido ao facto de a arte sacra ter utilizado os conteúdos das suas obras artísticas como potenciais instrumentos pedagógico/teológicos, transformados em autênticos tratados esotéricos, nenhum ponto de cor ou de luz era gratuito ou isento de intenção, neste projecto de utilizar a pintura e a escultura como veículos da mensagem cristã. Um exemplo elucidativo desta tarefa está nos painéis em talha pintada, presentemente afixados às paredes interiores laterais da Igreja da Conceição. |
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Os painéis terão pertencido à Capela dos Passos, da Igreja do Colégio dos Jesuítas de Angra, onde fariam parte de um conjunto de três que decorava os lados visíveis do andor com a imagem de Cristo Crucificado. Segundo a mesma fonte (autoridade eclesiástica), representariam cenas da vida do Povo Hebreu, durante os quarenta anos que permaneceu no deserto. O cacho de uvas simbolizaria os resultados de uma exploração enviada à Palestina, onde a informação sobre a fertilidade dos frutos teria sido assim representada. |
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O segundo painel ilustraria uma passagem do quotidiano no exílio.
De uma outra fonte, porém (Bíblia – Antigo e Novo Testamentos, da Editora Abril LTDA, S. Paulo, 1965), foram retiradas as ilustrações abaixo apresentadas, cujas legendas parecem indicar outras simbologias. No caso do transporte do pretenso “cacho de uvas”, a ilustração retirada da Bíblia apresenta uma cena bastante semelhante à do painel do Colégio dos Jesuítas de Angra (que agora se encontra na Igreja da Conceição), parecendo tratar-se do mesmo objecto (um cacho de uvas gigantesco). Neste caso, porém, retrata outro acontecimento. Seria esta uma simbologia recorrente, muito empregue nesse tempo? |
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Se assim fosse, no caso da ilustração da Bíblia, as uvas estariam a representar a situação de um pretenso pagamento de promessa que serviu para evitar uma guerra, o que significaria uma temática diversa da referida na outra obra. A mesma ambiguidade parece verificar-se com a simbologia do segundo painel, em relação à correspondente ilustração bíblica. |
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Pela legenda desta última, tratar-se-á de um acontecimento importante: o roubo da Arca do Testamento, perpetrado por Filisteus. Este roubo, que foi um acontecimento historicamente documentado, foi causa de várias guerras entre este povo e os Israelitas, após as quais, e segundo reza a lenda, por terem os transgressores sofrido alguns azares, devidos a “pragas”, lançadas pelos Israelitas, vingando o acto do roubo, a arca foi devolvida. |
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Na realidade, o verdadeiro sentido implícito nestas, assim como em muitas outras obras de arte do passado, ainda não terá sido percebido. |