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Baía de Angra |
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Foi criada a Provedoria das Armadas e a Baía de Angra foi apetrechada para as tarefas que lhe competiam, no vasto projecto. |
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Na enseada foi montado um estaleiro de construção e reparações. Toda a encosta que circunda a Baía foi fortificada, por um lado, com pequenos fortes, por outro, amuralhada (Linschoten), nos sítios vulneráveis, ficando totalmente controlado o tráfego de mercadorias por “Portas”, devidamente fiscalizadas. Após a ocupação Espanhola, a Baía de Angra foi ainda dotada de uma Fortaleza de grande envergadura, o Castelo de S. Filipe (agora de S. João Baptista), que serviria para de proteger os espanhóis contra os habitantes da Ilha, embora a sua principal função fosse a defesa da Baía, mantida pelo fogo cruzado com o “Castelinho”. |
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Um Hospital, contíguo à Igreja da Misericórdia, prestava acolhimento aos navegantes, que regressavam das longas viagens muito debilitados e também com ferimentos sofridos em combates. |
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A enorme riqueza (descrita por Linschoten), em especiarias, ouro, prata, pérolas, jóias, tecidos e louça, transportada da Índia e Américas para Lisboa e depois de 1583, também para Cádiz e Sevilha, passava obrigatoriamente por Angra. |
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Esse percurso devia-se não só aos ventos e correntes marítimas, mas também a obrigações alfandegárias e, principalmente, à necessidade de proteger os bens contra a cobiça de outras nações (Inglaterra, França e Holanda), que armaram piratas e corsários para a sua captura, o que se dava, inicialmente, próximo do Continente Europeu, e mais tarde, em águas do arquipélago. |
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As embarcações carregadas de mercadorias preciosas refugiavam-se na Baía de Angra, aguardando até formarem um contingente suficientemente numeroso que justificasse a protecção dos navios da Armada, até ao seu destino final. |
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Durante a estadia em Angra, procedia-se ao transbordo das mercadorias (Linschoten) para embarcações mais pequenas, que mais facilmente pudessem fugir aos adversários. Como a espera por outras embarcações chegasse às vezes a meses, o ouro e a prata eram então transportados para o Castelo de S. Filipe (S. João Batista) onde ficavam guardados à vista. |
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Entre a Ilha Terceira e as restantes Ilhas do Grupo Central do Arquipélago estabeleceu-se um comércio importante, com tráfego constante de víveres e outras mercadorias, para provimento das embarcações de passagem por Angra. Estas mercadorias (peixe seco ou salgado, carne seca e defumada, biscoitos, frutas, farinha, etc.) chegavam em barricas ou pipas, ficando armazenadas no Porto das Pipas, então totalmente isolado e com acesso apenas por uma porta, sob a guarda da Fortaleza de S. Sebastião. Um dos principais fornecedores era a localidade de Santa Cruz das Ribeiras, nas Lajes do Pico, auto-suficiente na construção de embarcações de cabotagem, e na pesca e secagem de peixe para comerciar (séc. XVI). A Baía de Angra e arredores estava tão bem guardada que conseguia dissuadir piratas e corsários, como Sir Fancis Drake, Lord Chamberlain e outros, em constante rondar pelas Ilhas, cobiçando as naus das Índias, ao forçá-los a abastecerem-se nas restantes ilhas, cujas defesas eram menos poderosas do que as de Angra (Linchoten). |
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Angra nasceu e desenvolveu-se rapidamente, não a partir de um pequeno povoado, como acontece com a maioria das cidades, mas com formato de urbe, planificada logo de início, facto inédito na época. |
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Para dar resposta às exigências do tráfego que por ela passava, a cidade de Angra desenvolveu-se rapidamente, mas não desordenadamente. O seu traçado foi um dos que primeiro obedeceram aos valores do Renascimento, apresentando-se lógico e rectilíneo. |
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As experiências na arquitectura colonial, executadas à sua volta, foram depois disseminadas por outras terras, principalmente o Brasil, onde agora é possível rever conjuntos arquitectónicos com a sua marca. |
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A classificação de Angra na Lista da UNESCO para o Património Mundial, representa o entendimento, por parte daquela organização, do papel fundamental exercido por Angra no empreendimento dos Descobrimentos. |
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Nota: |
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Toda a informação referente a Linschoten (texto e desenhos) é baseada na sua obra Itinerário, Viagem ou Navegação de Jan Huygen van Linschoten para as Índias Orientais ou Portuguesas, Edição da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, da autoria de Arie Pos e Rui Manuel Loureiro, Lisboa, 1997 História Insulana, Pe. António Cordeiro, 1717. SREC, Angra, 1981, p.269) |