O Alto das Covas

 

Assim é conhecido no vulgo o Largo do Dr. Oliveira Salazar, que antes era o Largo 11 de Agosto. Foi no início da fundação de Angra designado apenas por « às covas » por existirem, abertos no solo, os primitivos celeiros.




A Câmara reconstruiu um antigo chafariz (1646) que já existia desde o séc. XVI, e que anteriormente se situava nas imediações do Convento da Graça (em frente à sua actual posição). Ao lado deste, porém existe um outro chafariz que dá para a rua de S. Gonçalo, ligado talvez ao “milagre” produzido por uma freira deste convento, em resposta ao pedido de outra: após a sua morte, a água (que escasseava no convento) começou a jorrar e nunca mais parou, sendo que cura “muitos males”.




Por outro lado, afirmava-se que a água que saía das duas bicas do “chafariz do Alto das Covas” (presentemente não se sabe de qual) conquistava todo o estranho que dela bebia, que acto contínuo se tornava amigo dedicado da Terceira. Dizia-se também que, quando um representante da autoridade era mais exigente ou menos compassivo, «precisava beber água do Alto das Covas», tal era a convicção no seu poder, que faria o funcionário abrandar a rigidez de princípios. Também se dizia que “bebeu água do Alto das Covas”, do rapaz efeminado. A lenda da “água do Alto das Covas” está assim repartida entre estes dois chafarizes, um nas costas do outro.




O Alto das Covas foi teatro de lutas aguerridas, não só durante a Restauração, como, já no séc. XIX, entre Constitucionais e Absolutistas. Foi o grande nó de comunicações onde se articulava todo o sistema de entrincheiramentos, entre a Prainha e os Portões de S. Pedro.







Em 28 de Maio de 1937 foi inaugurado o novo largo depois de ampliado e urbanizado tal como hoje se encontra, sendo colocada a placa do nome do Dr. Oliveira Salazar como homenagem do município ao então chefe do Governo.




O Alto das Covas foi também um lugar particularmente concorrido nas tardes de tourada, pois ali descarregavam as carroças e charabans que os frequentadores traziam.










Bibliografia:

Livro: «Da Praça Às Covas» pg. 238 à 245
Autor: Frederico Lopes